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Blog · Metrônomo

Como usar o metrônomo para melhorar seu groove de verdade

Equipe Cadência ·

Muita gente encara o metrônomo como uma espécie de fiscal.

Ele fica ali dizendo se você acelerou ou atrasou.

Mas essa é só uma parte do trabalho.

Para um baterista, o metrônomo pode ser usado para desenvolver algo muito mais importante: a capacidade de sentir o tempo sem depender do clique o tempo todo.

O objetivo não é tocar grudado numa máquina.

É usar uma referência externa até que o pulso fique cada vez mais sólido por dentro.

Tela do Cadência Metrônomo com 96 BPM, os quatro tempos do compasso em círculos, o botão de tocar e os seletores de compasso 4/4, subdivisão e timbre.
O Cadência Metrônomo: andamento, compasso, subdivisão e timbre numa tela só. É a referência externa — o objetivo é precisar cada vez menos dela.

Para que o metrônomo serve — e para que não serve

Referência de pulso, não muleta

Se você liga o metrônomo em todos os tempos e tenta perseguir cada clique, o estudo pode virar uma correção permanente:

atrasou → corre.

adiantou → segura.

O metrônomo funciona melhor quando você o trata como uma referência.

Você toca.

O clique confirma onde o pulso está.

Se os dois começam a se afastar, existe informação ali.

Em vez de simplesmente “voltar para o clique”, tente perceber por que você saiu dele.

Foi numa virada?

Num ataque sincopado?

Quando entrou o bumbo?

Quando aumentou a dinâmica?

É esse diagnóstico que transforma o metrônomo numa ferramenta de estudo.

Tempo e groove não são a mesma coisa

Você pode tocar perfeitamente junto com o clique e ainda assim soar duro.

Tempo é a organização dos eventos dentro do pulso.

Groove envolve também:

  • dinâmica;
  • articulação;
  • acentuação;
  • relação entre as peças;
  • consistência;
  • intenção.

Por isso, não transforme o metrônomo em objetivo final.

Use-o para estabilizar o tempo e depois concentre-se em fazer a bateria soar musical.

Escolha o andamento certo

Comece onde o trecho sai limpo

Se uma levada desmonta a 100 BPM, não existe motivo para praticá-la a 120.

Reduza.

Encontre um andamento em que você consiga:

  • tocar sem tensão;
  • ouvir cada subdivisão;
  • manter bumbo, caixa e condução claros;
  • executar viradas sem perder o pulso.

Pode ser 60 BPM.

Pode ser 50.

O número não importa.

O andamento correto é aquele em que você consegue controlar o que está fazendo.

Suba aos poucos, por etapas

Quando o trecho estiver consistente, suba.

Você pode trabalhar, por exemplo:

60 → 65 → 70 → 75 BPM

Automação de estudo do metrônomo com Subir o andamento ligado: passo de 5 BPM a cada 4 compassos, até 75 BPM.
A subida por etapas, automatizada: +5 BPM a cada 4 compassos até 75, sem parar o relógio.

Fique alguns minutos em cada andamento.

Se a execução começar a perder clareza, volte.

O objetivo não é chegar rapidamente ao BPM final.

É construir estabilidade ao longo do caminho.

Descer o andamento também é treino

Existe um detalhe curioso: tocar muito devagar pode ser mais difícil do que tocar rápido.

A 120 BPM, os cliques estão próximos.

A 50 BPM, existe muito espaço entre eles.

Você precisa sustentar o pulso internamente por mais tempo.

Teste uma levada simples em 80 BPM.

Depois toque a mesma coisa em 60.

Depois em 45.

Se começar a antecipar o clique, provavelmente você está preenchendo mal o espaço entre os pulsos.

Mude o lugar do clique

Um dos estudos mais interessantes com metrônomo é diminuir a quantidade de informação que ele fornece.

Clique em todos os tempos

Comece pelo básico.

Em 4/4:

1 — 2 — 3 — 4

Toque uma levada simples:

  • chimbau em colcheias;
  • caixa nos tempos 2 e 4;
  • bumbo nos tempos 1 e 3.

O objetivo inicial é fazer cada clique parecer integrado à sua execução.

Quando você está realmente no tempo, muitas vezes o clique parece quase desaparecer no ataque da bateria.

Clique só nos tempos 2 e 4

Agora vem um estudo muito musical.

Em vez de imaginar o clique como:

1 — 2 — 3 — 4

imagine que ele marca apenas:

2 — 4

Você precisa fornecer internamente os tempos 1 e 3.

Esse exercício aproxima a referência da função que caixa e backbeat costumam ter em diversos estilos.

Comece devagar.

Conte em voz alta:

1 — clique — 3 — clique

Depois pare de contar e mantenha a sensação.

Importante: isso é uma técnica de estudo. Se o metrônomo que você estiver usando não tiver uma função específica para omitir 1 e 3, você pode configurar um andamento equivalente ou fazer a interpretação mental do clique.

Clique no contratempo

Outra possibilidade é deslocar mentalmente o clique para os “e”:

1 e 2 e 3 e 4 e

O clique cai apenas no:

e

Isso muda completamente a referência.

Comece tocando colcheias simples.

Depois coloque uma levada básica.

No início, é comum o cérebro tentar “puxar” o clique de volta para o tempo forte.

Resista.

A ideia é desenvolver estabilidade suficiente para sentir o pulso principal mesmo quando a referência externa está no contratempo.

Subdivisão ligada e desligada

Se você está trabalhando semicolcheias, pode ser útil começar ouvindo uma subdivisão mais detalhada.

Por exemplo:

1 e & a

Depois retire a subdivisão e mantenha apenas o pulso principal.

Você passa de uma referência mais densa para uma referência mais espaçada.

Esse processo é interessante porque força você a internalizar a grade que antes estava sendo fornecida pelo metrônomo.

Compassos em silêncio: tocar sem o clique e reencontrá-lo

Esse é um dos testes mais claros de tempo interno.

Toque alguns compassos com o metrônomo.

Depois deixe o clique desaparecer por um ou mais compassos.

Continue tocando.

Quando o clique voltar, veja onde você está.

Se você chegar junto, ótimo.

Se o clique reaparecer antes ou depois do lugar em que você esperava, descubra em que direção o tempo se moveu.

Você acelerou?

Arrastou?

Isso mostra algo que um clique constante nem sempre revela.

Contagem inicial e entrada

Entrar no tempo

Um bom tempo começa antes da primeira nota.

Se o metrônomo fornece uma contagem inicial, use-a de verdade.

Controles de um exercício no estúdio: andamento de 72 BPM numa faixa de 30 a 240, metrônomo ligado, subdividir o tempo, divisão por tempo e contagem inicial ligada.
No estúdio, cada exercício tem o seu metrônomo: andamento de 30 a 240 BPM, subdivisão do tempo e contagem inicial antes da primeira nota.

Não espere passivamente pelo começo.

Durante a contagem:

  • sinta o pulso;
  • movimente o corpo;
  • imagine a subdivisão;
  • ouça mentalmente o primeiro compasso.

Quando entrar, você já deve estar dentro do andamento.

Não tente descobrir o tempo depois que começou a tocar.

Compasso composto: contar os pulsos certos

No 6/8, existe uma diferença importante.

Você pode ouvir seis colcheias:

1 2 3 4 5 6

Mas muitas levadas são sentidas em dois grandes pulsos:

1 2 3 — 4 5 6

Ou seja, dois pulsos de semínima pontuada.

Experimente tocar um 6/8 com o metrônomo marcando esses dois pulsos.

Depois compare com o clique em todas as colcheias.

A quantidade de informação muda, mas o compasso continua o mesmo.

O metrônomo dentro do groove

A condução presa ao clique

Pegue uma levada simples.

Faça o chimbau coincidir com uma referência regular do metrônomo.

Agora preste atenção no resto da bateria.

O bumbo continua estável?

A caixa entra exatamente onde você pretende?

Quando a coordenação fica difícil, é comum a condução começar a oscilar.

Use o clique para descobrir quando isso acontece.

Depois diminua o andamento e resolva a coordenação sem abandonar o pulso.

Viradas que voltam no tempo 1

Viradas são um ótimo teste.

Toque três compassos de groove.

No quarto, faça uma virada de um tempo em semicolcheias pelos toms.

A primeira nota do compasso seguinte precisa cair exatamente no tempo 1.

Se você volta antes do clique, provavelmente correu na virada.

Se volta depois, provavelmente abriu espaço demais.

Repita apenas a transição:

groove → virada → tempo 1

Não precisa tocar a música inteira para estudar isso.

Um treino de metrônomo em quatro etapas

Você pode organizar tudo isso numa sessão curta.

Etapa 1 — 5 minutos: pulso cheio

Escolha uma levada simples.

Toque com o clique em todos os tempos.

Comece num andamento confortável.

Procure consistência.

Etapa 2 — 5 minutos: menos informação

Mantenha a mesma levada.

Use uma referência mais espaçada.

Por exemplo:

  • clique interpretado em 2 e 4;
  • andamento reduzido pela metade;
  • ou apenas os pulsos principais de um compasso composto.

Agora você precisa sustentar mais tempo sozinho.

Etapa 3 — 5 minutos: silêncio

Faça ciclos.

Por exemplo:

2 compassos com clique → 2 compassos sem clique

Automação Tocar e silenciar ligada no metrônomo: tocar 2 compassos, silenciar 2 compassos.
Ciclos de tocar e silenciar: 2 compassos com clique, 2 em silêncio. O relógio continua andando enquanto o som cala.

Continue tocando durante o silêncio.

Quando o metrônomo voltar, confira se você permaneceu no lugar.

Etapa 4 — 5 minutos: groove e virada

Toque alguns compassos de levada.

Faça uma virada curta.

Volte no tempo 1.

Repita.

Depois altere o andamento e faça novamente.

Esse bloco reúne tempo, coordenação e forma musical.

O objetivo é precisar cada vez menos do metrônomo

Parece contraditório, mas um bom estudo com metrônomo deveria fazer você depender menos dele.

No começo, o clique pode marcar tudo.

Depois, você reduz as referências.

Deixa espaços maiores.

Cria silêncio.

Muda o lugar do clique.

E começa a perceber que o tempo não está no aparelho.

O aparelho apenas mostra se o seu tempo interno está funcionando.

No Cadência Batera, o metrônomo acompanha exercícios e grooves, e existe também uma ferramenta própria para trabalhar compassos, subdivisões, mudanças de andamento e ciclos de tocar e silenciar.

Mas o princípio continua o mesmo com qualquer metrônomo:

quanto menos o clique precisar dizer, mais você está assumindo a responsabilidade pelo tempo.