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Leitura rítmica para bateristas: como levar a partitura para o groove

Equipe Cadência ·

Muita gente começa a tocar bateria de ouvido e só depois decide aprender a ler.

Quando abre uma partitura de bateria pela primeira vez, a sensação costuma ser de que existem informações demais ao mesmo tempo: linhas, espaços, cabeças de nota diferentes, bumbo embaixo, pratos em cima, caixa no meio.

Mas existe um jeito muito mais simples de chegar lá.

Em vez de tentar ler a bateria inteira de uma vez, você pode construir a leitura em camadas:

primeiro entender a figura rítmica → depois colocar essa figura em uma peça → por fim juntar as peças dentro do groove.

A leitura deixa de ser um código abstrato e começa a funcionar como aquilo que ela realmente é: uma forma de organizar o que você vai tocar.

Leitura rítmica e partitura de bateria não são a mesma coisa

Antes de falar de groove, é importante separar duas coisas.

Uma linha, uma voz

Quando você estuda leitura rítmica numa única linha, está preocupado principalmente com:

  • duração das figuras;
  • posição dos ataques;
  • pausas;
  • subdivisão;
  • compasso.

Você não precisa decidir ainda se aquela nota será tocada no bumbo, na caixa ou no chimbau.

Isso é útil porque permite aprender o ritmo sem somar imediatamente o problema da coordenação.

Pegue uma figura de dois tempos.

Por exemplo:

colcheia pontuada + semicolcheia | colcheia + colcheia

Primeiro leia apenas o ritmo.

Conte.

Toque tudo na caixa.

Nesse momento, interessa saber quando tocar.

Não ainda onde tocar.

Na pauta da bateria, cada linha e cada espaço é uma peça

Quando passamos para a partitura de bateria, a posição vertical da nota começa a carregar outra informação.

A nota não mostra apenas quando existe um ataque.

Ela também mostra qual peça da bateria deve ser tocada.

Bumbo, caixa, toms, chimbau e pratos ocupam posições próprias na pauta.

Guia da partitura do Cadência Batera: a posição de cada peça na pauta, de cima para baixo, e um exemplo com todas as peças.
O guia da partitura do estúdio: cada peça no seu lugar, do prato de ataque ao chimbau com o pé. Exercícios e grooves seguem essa mesma convenção.

Por isso, tentar aprender ao mesmo tempo:

  • a duração da figura;
  • a localização da peça;
  • a coordenação entre membros;

pode transformar uma leitura simples num problema muito maior do que ela realmente é.

A estratégia mais eficiente é separar essas camadas.

A cabeça da nota diz como tocar

Além da posição na pauta, a forma da cabeça da nota também pode trazer informação.

Na bateria, é comum que pratos e chimbau apareçam com cabeças diferentes das notas usadas para tambores.

Groove 270 na pauta de bateria: chimbau com cabeça em x logo acima da pauta, caixa no terceiro espaço e bumbo no primeiro espaço, em dois compassos.
Na pauta completa, posição e cabeça trabalham juntas: o chimbau em x logo acima da pauta, a caixa no terceiro espaço e o bumbo no primeiro.

Também podem existir sinais para:

  • chimbau aberto;
  • chimbau fechado;
  • aro;
  • ghost notes;
  • acentos;
  • outras articulações.

Mas não tente decorar todas as convenções de uma vez.

Comece pelo conjunto mínimo necessário para ler o groove que está na sua frente.

O que ler primeiro

Se você está começando, três elementos vêm antes de qualquer leitura complexa.

Figuras e pausas

Você precisa reconhecer quanto espaço cada figura ocupa.

Em 4/4, por exemplo, uma semínima ocupa um tempo.

Duas colcheias dividem esse mesmo tempo.

Quatro semicolcheias dividem o tempo em quatro partes.

As pausas ocupam exatamente esses mesmos espaços, só que sem ataque.

Faça um exercício simples.

Com o metrônomo lento, conte:

1 e 2 e 3 e 4 e

Toque apenas os números.

Depois apenas os “e”.

Depois alterne.

Você já está trabalhando leitura sem precisar olhar uma pauta completa de bateria.

Pulso e subdivisão

A partitura só funciona se existir uma referência interna de pulso.

Em 4/4, marque:

1 — 2 — 3 — 4

Depois divida:

1 e 2 e 3 e 4 e

E, se necessário:

1 e & a 2 e & a 3 e & a 4 e & a

A subdivisão é como uma régua.

Ela mostra exatamente onde cada ataque está dentro do tempo.

Quando você perde essa régua, começa a tentar adivinhar a distância entre as notas.

É aí que a leitura desanda.

Fórmula de compasso: simples e composto

Também é importante saber como o compasso organiza os pulsos.

Em 4/4, é comum sentir quatro pulsos de semínima.

No 6/8, uma leitura muito comum é sentir dois pulsos de semínima pontuada:

1 2 3 — 4 5 6

As seis colcheias continuam lá, mas são agrupadas de três em três.

Não basta ver seis notas e contar até seis mecanicamente.

Você precisa perceber a organização interna do compasso.

Da linha ao groove em três passos

Aqui está o caminho mais prático para transformar leitura rítmica em leitura de bateria.

1. Leia a figura numa voz só

Pegue uma figura pequena.

Por exemplo:

colcheia pontuada + semicolcheia | duas colcheias

Conte a subdivisão.

Toque tudo na caixa.

Repita até que você consiga tocar sem hesitar.

Não coloque bumbo, chimbau ou prato ainda.

O objetivo é entender a célula rítmica.

2. Coloque a figura no bumbo, sob uma condução fixa

Agora mantenha colcheias constantes no chimbau.

Coloque a figura que você acabou de estudar no bumbo.

Se o exercício ocupar dois tempos, repita a célula ao longo do compasso.

Você vai perceber que a dificuldade muda.

Antes, era apenas leitura.

Agora existe coordenação entre:

chimbau + bumbo.

Se travar, retire o chimbau e confira novamente a linha do bumbo.

Depois recoloque a condução.

3. Junte bumbo e caixa e leia a figura combinada

Por fim, adicione a caixa.

Comece com uma referência simples:

caixa nos tempos 2 e 4.

Agora você tem:

  • condução no chimbau;
  • figura rítmica no bumbo;
  • caixa marcando 2 e 4.

A figura que você leu numa única linha virou um groove.

Sequência em três passos: um exercício da Série I numa voz, o cartão que o liga ao Groove 44 (rock) pela combinação de bumbo e caixa e a partitura completa do Groove 44.
Da linha ao groove: a figura lida numa voz reaparece na combinação de bumbo e caixa do Groove 44 — o mesmo ritmo, agora dividido entre as peças.

Esse processo é importante porque mostra que uma partitura de bateria não precisa ser decodificada inteira de uma vez.

Você pode desmontá-la.

Erros comuns de quem está começando

Alguns erros aparecem com frequência porque parecem pequenos, mas desmontam toda a leitura.

Perder a contagem na pausa

A pausa não suspende o pulso.

Se existe uma pausa de colcheia no início do tempo e um ataque no contratempo, você precisa continuar sentindo a primeira metade do tempo.

Conte:

1 e

Não toque no “1”.

Toque no “e”.

Faça isso durante um minuto inteiro com o metrônomo.

Exercício em 4/4 numa voz em que cada tempo começa com pausa de colcheia e o ataque cai no contratempo.
Pausa de colcheia no tempo, ataque no contratempo: num exercício como este, o pulso continua passando mesmo quando a nota não cai nele.

Se o ataque começar a antecipar, volte a contar em voz alta.

Confundir chimbau e prato de condução

Visualmente, as notas de chimbau e prato ficam na região superior da pauta.

Para quem está começando, isso pode gerar confusão.

Não tente memorizar por aproximação.

Use sempre a convenção adotada na partitura que você está lendo.

Se houver uma legenda ou guia, consulte.

No Cadência Batera, por exemplo, a pauta segue uma convenção definida no guia de partitura do próprio produto, para que o que você aprende no guia seja exatamente o que encontra nos exercícios e grooves.

O importante é consistência.

Ler nota por nota em vez de tempo por tempo

Esse é um dos erros que mais trava a fluência.

Você olha a primeira nota.

Toca.

Depois procura a segunda.

Depois a terceira.

A leitura fica fragmentada.

Tente enxergar o tempo inteiro como uma pequena unidade.

Em vez de ler quatro semicolcheias isoladas, perceba:

um tempo subdividido em quatro partes.

Em vez de olhar cada nota de uma síncope separadamente, reconheça a célula inteira.

É o equivalente rítmico de começar a reconhecer palavras em vez de soletrar letra por letra.

Um treino de leitura de 15 minutos

Você pode organizar um treino bastante objetivo.

5 minutos — uma voz

Escolha algumas figuras simples.

Toque tudo na caixa.

Conte em voz alta.

Use um andamento em que consiga ler sem parar.

Não aumente a velocidade.

O objetivo é fluência.

5 minutos — transportar para o bumbo

Escolha uma das figuras.

Mantenha colcheias no chimbau.

Toque a figura no bumbo.

Se necessário, volte por alguns segundos para a leitura numa voz e depois tente novamente.

5 minutos — transformar em groove

Adicione a caixa nos tempos 2 e 4.

Toque o compasso várias vezes.

Depois troque a figura.

A cada nova célula, faça o mesmo caminho:

ler → transportar → combinar.

Em quinze minutos você já trabalhou leitura, coordenação e aplicação musical sem precisar encarar uma página inteira de partitura complexa.

Da partitura para a bateria

Aprender leitura rítmica não significa deixar de tocar de ouvido.

Significa ganhar mais uma maneira de entender o que está acontecendo.

A partitura permite enxergar:

  • onde o ataque acontece;
  • quanto ele dura;
  • onde existe silêncio;
  • como as peças se relacionam;
  • qual subdivisão organiza o groove.

E o caminho fica muito mais simples quando você não tenta ler tudo ao mesmo tempo.

Primeiro a figura.

Depois a peça.

Depois a combinação.

No Cadência Batera, esse caminho pode ser feito em sequência: você entende a pauta no guia, pratica figuras numa voz e depois encontra essas mesmas ideias dentro dos grooves, com a bateria tocando junto.

Mas o princípio é o mesmo em qualquer estudo:

uma partitura complicada fica muito menos complicada quando você aprende a desmontá-la.